Toda vez que interagimos com aplicativos e sites nos valemos do front end. Nem imaginamos, porém, a extensão daquilo que é construído pelo back end — a infraestrutura que roda nos bastidores para processar e armazenar os dados e fazer com que aquilo por onde você trafega seja totalmente amigável. Quem já não se deparou com essas linhas de código e ficou olhando para aquilo com cara de paisagem?
Analogias à parte, é exatamente o que acontece com o conhecimento dentro da sua empresa. Ele está lá, mas falta um olhar apurado para entender e agir com esse poderoso ativo que você tem em mãos.
No HackTown, em Santa Rita do Sapucaí, participei do painel "Networking Não Paga Boleto. Até Virar Negócio." A pergunta que ficou girando na mesa era simples: afinal, o que um networking conduz?
Sozinho, nada.
WhatsApp trocado não transfere conhecimento. Sala cheia não é reputação. Networking vira negócio no dia em que a outra pessoa sai da conversa sabendo o que você sabe — e não apenas onde você trabalha. E aí aparece a exceção mais cara de todas. Essa não está em código nenhum: está na cabeça das pessoas.
O engano de quem creator é
Virou senso comum que creator é gente nova dançando no TikTok e falando banalidade em Reels. Com essa definição na cabeça, quem tem trinta anos de estrada olha para o próprio conhecimento e conclui: "isso não é para mim".
Ocorre que creators são pessoas comuns que sabem algo capaz de mudar o dia de outra pessoa e resolvem dizer em voz alta. Nas redes sociais ou nos canais formais de uma empresa.
O gerente que sabe por que o cliente cancela no terceiro mês. A supervisora que já reverteu três crises que nunca viraram notícia. O vendedor que entende o balcão melhor que qualquer pesquisa. Vozes de dentro da empresa, com conhecimento de causa — não porque leram sobre, mas porque estavam lá, ajudando a construir a reputação e o dia a dia do negócio. Seja ele qual for.
O atalho que o marketing insiste em tomar
E esse ponto diz respeito às inúmeras vezes em que profissionais de marketing do seu negócio optaram por fazer o "de sempre". O mais cômodo, ou até mesmo o senso comum. Foram atrás de um ativo gigante, com milhões de seguidores, presença nacional e histórico de outras marcas — inclusive, algumas concorrentes.
É exatamente aí que o engano ocorre. Esquecem de quem está dentro de casa. Esquecem de trabalhar com quem pode falar. Não apenas uma vez, mas toda vez que algo precise ser dito.
Vozes internas, repito. Ou vozes menores. Micro e nano influenciadores, ou ainda os UGCs. Aquelas que não aparecem só em momentos de campanha e lançamento. As que estão todos os dias ao seu lado e possuem capacidade e lugar de fala nessa nova extensão da comunicação que deu vez e voz às pessoas.
Está com o acervo mais completo da sala.
E aqui está outro ponto que mexeu com a plateia. Bagagem, sim, é repertório que ninguém consegue copiar.
Três sinais de que o conhecimento da sua empresa está obstruído
- A pessoa que mais entende do seu produto nunca apareceu em nenhum conteúdo.
- O que vocês publicam poderia ter sido publicado por qualquer concorrente.
- Toda demanda nova começa com "vamos criar" e nunca com "vamos ouvir quem já sabe".
Reconheceu dois? Então o problema não é volume. É acúmulo.
A tentação, quando a comunicação não funciona, é produzir mais: mais posts, mais canais, mais campanhas. Produzir em cima de uma base entulhada é tentar ler um código sem ter tido qualquer aula de programação. Não vai funcionar.
Então fica a pergunta: qual conhecimento ou experiência você e sua empresa têm e ainda não conseguiram transformar em influência?
Léo Soltz é especialista em Creator Economy e criador do método Vida de Creator. O painel "Networking Não Paga Boleto. Até Virar Negócio." foi realizado na Casa Claro, durante o HackTown 2026, em iniciativa beOn Claro | Claro empresas, com Juliana Granato (Claro), Grasiela Scalioni (Lápis Raro Comunicação) e mediação de Luiz Alves.
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